Movimentos de Luta do nosso povo
Movimentos de Luta do nosso povo

Povo KAPINAWÁ – Ancestralidade, Lutas e Tradição

O território tradicional do povo indígena Kapinawá está localiza entre os municípios de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim Pernambuco. Tem uma extensão de 12.403 hectares e uma população, aproximada, de seis mil índios distribuídos em 28 aldeias. Hoje nosso território está em processo de ampliação da área, uma vez que a FUNAI deixou a maior parte da Terra fora da demarcação feita em 1986. No dia 11 de agosto de 2011, entramos em processo de Retomada de uma fazenda cuja terra nos pertence e foi tomada por grileiros e vendida a terceiros. Mesmo com a ampliação da área indígena, parte do nosso território tradicional ainda ficará fora por ser muito amplo. Continuamos na luta e na resistência!

Obs: Entrar em RETOMADA é um dos movimentos de luta, dos povos indígenas, para ter de volta a terra que foi tomada de alguma forma.

Nós, povos indígenas, temos um motivo a mais para lutarmos por nossas terras. Para nós, a terra é nossa mãe e, por isso, tem um grande significado. Ela guarda as histórias dos nossos antepassados, a força dos encantados, nossos costumes, crenças e tradições. Além de nos fornecer alimento para o corpo, alimenta, também, a nossa alma.

O objetivo do Movimento Indígena é lutar por garantia e respeito dos direitos à terra livre, à saúde e à educação diferenciada e de qualidade. Para tanto, conta com a participação de organizações indígenas e indigenistas que juntos traçam estratégias de luta contra o descaso do Estado que não cumpre seus deveres. Nosso movimento tem como ideia unir forças para ampliação das conquistas, garantindo, assim, o bem estar de todos. Numa participação que nasce de baixo para cima, onde todos participam da luta e são protagonistas.

TRADIÇÃO

As músicas mais expressivas para representar os Kapinawá são o samba de coco e o samba de toré. Eles são da tradição dos antepassados que os tinham como lúdico para os momentos festivos. O samba de coco Kapinawá faz parte da cultura tradicional mantida e respeitada por todos da etnia. Não sabemos, detalhadamente, quando e onde surgiu. Porém, os mais velhos contam que o samba de coco era, preferivelmente, dançado após a construção da taipa de uma casa e, em outras ocasiões, era usado como forma de distração nas comunidades. Mesmo nas festas tradicionais, como a junina e nos casamentos, não esquecia a sua raiz. Já o samba de toré vem sendo dançado após o termino do tore. Elas têm a mesma pisada, porém as cantigas falam dos encantados e dos locais sagrados, diferente do samba de coco que canta: o amor, a natureza, as comunidades, as pessoas, os animais, etc. Aprendemos a cantar e a dançar no dia-a-dia da comunidade, nas escolas, nos encontros e reuniões, nos rituais, nas brincadeiras, etc. Esses são nossos costumes, crenças e tradições, por isso não há restrições de gênero ou idade para aprender, ensinar e praticar.
É com os detentores do saber (os mais velhos), que aprendemos a riqueza do ser KAPINAWÀ.

EDUCAÇÃO
As escolas Indígenas do Povo Kapinawá atendem as modalidades de Ensino Infantil, Fundamental de 1ª a 4ª série, 1º ao 5º ano, de 5ª a 6ª série, 6º ao 7º ano e EJA. A educação escolar Indígena do povo Kapinawá nasce das suas tradições e a concepção de ensino é pautada na sabedoria e cultura dos mais velhos, na autonomia e na organização própria do povo, valorizando as experiências e respeitando as nossas tradições e os nossos costumes, com base nos princípios da coletividade, interculturalidade e especificidade do povo. As escolas do povo são reconhecidas pelas comunidades e estão organizadas com calendário específico, currículo intercultural e com uso de diferentes espaços como sendo de aprendizagem nas aldeias. Além disso, a gestão é feita por coordenadores (as) gerais e pedagógicos.

A Educação Escolar Indígena é planejada a partir da realidade do povo, com autonomia em relação aos aspectos sociais, históricos e culturais que regem essa educação. O currículo, que é intercultural, mantém a diversidade do conhecimento, valorizando as experiências dos mais velhos, das lideranças, do cacique, do pajé e da comunidade, estimulando o entendimento e o respeito entre identidades étnicas, fazendo intercâmbio entre as várias escolas, com o objetivo de unificar os saberes do povo. Os professores (as), que são indígenas, respeitam os costumes e as tradições do povo. Todas as decisões de como deve funcionar as escolas são discutidas com a comunidade. A escola deve ensinar a história do povo às crianças, garantindo a continuidade de sua cultura.

No povo Kapinawá, os educadores (as) preocupam-se com a formação dos índios (as), consideram o ritual como parte fundamental de sua educação. Esses têm que estar atualizados com os processos próprios e com o conhecimento da sociedade não indígena, para poderem trabalhar o conhecimento intercultural.

Rede de Cultura e Educação

Por tudo isso, fazer parte da Rede de Cultura e Educação é de grande importância para o meu Povo e um privilégio para mim. Para mim, enquanto Kapinawá é importante porque vou poder falar e mostrar o meu povo. Para mim, é um privilégio porque vou aprender muito e conhecer pessoas maravilhosas

Autora: Socorro Kapinawa – Rede de Cultura e Educação.


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